sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

FLOR DE CACTO



Um pontinho vermelho atraiu os meus olhos àquele pequeno cacto que mora no terraço de minha casa. "Que coisa seria aquela no meio de tantos pequeninos e poderosos espinhos? Teria sido trazida pelo vento?" Não resisti à curiosidade e, num olhar mais atento, percebi que aquela 'coisa" brotava do cacto, vinha de suas entranhas rompendo os espinhos, que sempre espetavam os distraídos que esbarravam no pequeno vaso causando uma fina e incômoda dor. Eu já senti essa dorzinha, por isso não podia acreditar no que meus olhos viam: o pontinho vermelho era uma delicada florzinha, que parecia não se importar com os malvados espinhos. Novamente me perguntei: "como ela conseguia botar a carinha para fora no meio daquela cerca de espinhos?"Então, encantada, passei a acompanhar o crescimento da florzinha e notei que a cada dia ela crescia mais formosa e mais forte, com uma capacidade inacreditável de de vencer a barreira de espinhos, porém sem perder a delicadeza.

Com o tempo, percebi que o que me encantava naquela pequena flor era a nossa similaridade. Na verdade, todos os dias eu subia ao terraço para me encontrar, pois eu sou flor de cacto, fragilidade e força em um mesmo ser. Delicada? Sim, no entanto, capaz de superar os espinhos da vida com uma força que vem não sei como, mas vem, sempre vem... uma força comum a quase todas as mulheres. Por isso não provoque... é cor de flor de cacto!