domingo, 17 de fevereiro de 2008

Vermelho devaneio


Elas estão por toda parte da cidade em vários quintais ou enfeitando ruas e praças. Em quase todos os lugares por onde passo, lá estão elas, aquelas frondosas e, por que não dizer, majestosas árvores. Seu vermelho intenso atraem os admiradores da natureza e por isso não consigo passar por elas sem deixar de observá-las. Elas florecem nessa época do ano para dar cor e beleza ao nosso tórrido verão, que parece ficar ainda mais quente com vermelho tinto dos flamboaiãs. São árvores comuns em nosso "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza" e, com certeza, elas contribuem para dar credibilidade a esses versos.

O contraste entre o vermelho do flamboaiã e o azul do céu dá um colorido tão especial ao verão, que chega a mexer com a minha fantasiosa imaginação. Reafirmo, são muito comuns e talvez por isso os olhares transeuntes acostumados com elas não param para observá-las, mas o meu, o meu olhar pára; o ônibus continua o seu cotidiano percurso, enquanto o meu olhar continua no flamboaiã, me estico para vê-lo passar e, como num passe de mágica, ele desaparece e outras paisagens tomam o seu lugar, e outras e mais outras, porém os olhos do meu pensamento só conseguem ver aquela árvore rubi que tanto me encanta. De repente, ele aparece novamente: é outro flamboaiã fortalecendo ainda mais o meu vermelho devaneio.

E assim, das janelas de casa ou dos ônibus prossigo contemplando essas árvores que tingem o verão de vermelho, cor quente e encantadora! Então, encantada com a rubra árvore pinto mentalmente uma bela tela, mais colorida do que as de Van Gogh ou de Miró, com as cores do verão tropical: dourado, anil e . . . é claro, vermelho! _ Um quadro de devaneio.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pôr-do-sol em camburi

Fim de tarde, fim de dezembro, fim de ano, começo de verão! O sol espalha no horizonte o seu tom alaranjado e, lentamente, vai se escondendo atrás do mar. Ao contrário do sol, as obras na praia prosseguem em ritmo acelerado, afinal é verão e por isso é preciso deixar a praia bonita para os turistas.

Da janela do ônibus vejo o contraste entre a constância da natureza e a efemeridade dos homens. As pessoas no calçadão caminhando ou correndo, parecem não se incomodar com as obras. Há também os quiosqueiros de plantão com outro tipo de exercício: o levantamento de copo. Assim, todos seguem a sua rotina vespertina, enquanto eu, fora da minha rotina tento ver o mar, mas... quão difícil é isso agora devido às montanhas de terras jogadas em toda a orla!
Então, olho novamente para o calçadão e, em meio a tantos corpos jovens e "sarados", observo uma graciosa anciã, caminhando com muita dificuldade, amparada por duas pessoas. Ela precisa de ajuda, mas não desanima, não se entrega à velhice; parece lutar por qualidade de vida. E assim, com o olhar parado naqueles cabelos brancos, voltei por um instante ao hospital, onde poucas horas antes, assistia à luta de minha tia pela sobrevivência. Essa triste lembrança fez tudo se tornar muito vazio para mim. Corpos e praia bonitos, preparados para verão - tudo isso perde o sentido diante da fragilidade da vida. Tudo é vaidade!
Bem, passado o "momento melancolia" e já perdida a imagem daquelas cãs, volto os meus olhos aos derradeiros raios de sol, que ainda insistem em brilhar no céu de Camburi. As luzes artificiais começam iluminar a cidade, as obras na praia continuam a todo vapor, as pessoas continuam a sua rotina (agora noturna) e a vida, apesar de frágil, continua... inclusive a minha querida tia ainda continua, com a ajuda dos aparelhos!