Da janela do ônibus vejo o contraste entre a constância da natureza e a efemeridade dos homens. As pessoas no calçadão caminhando ou correndo, parecem não se incomodar com as obras. Há também os quiosqueiros de plantão com outro tipo de exercício: o levantamento de copo. Assim, todos seguem a sua rotina vespertina, enquanto eu, fora da minha rotina tento ver o mar, mas... quão difícil é isso agora devido às montanhas de terras jogadas em toda a orla!
Então, olho novamente para o calçadão e, em meio a tantos corpos jovens e "sarados", observo uma graciosa anciã, caminhando com muita dificuldade, amparada por duas pessoas. Ela precisa de ajuda, mas não desanima, não se entrega à velhice; parece lutar por qualidade de vida. E assim, com o olhar parado naqueles cabelos brancos, voltei por um instante ao hospital, onde poucas horas antes, assistia à luta de minha tia pela sobrevivência. Essa triste lembrança fez tudo se tornar muito vazio para mim. Corpos e praia bonitos, preparados para verão - tudo isso perde o sentido diante da fragilidade da vida. Tudo é vaidade!
Bem, passado o "momento melancolia" e já perdida a imagem daquelas cãs, volto os meus olhos aos derradeiros raios de sol, que ainda insistem em brilhar no céu de Camburi. As luzes artificiais começam iluminar a cidade, as obras na praia continuam a todo vapor, as pessoas continuam a sua rotina (agora noturna) e a vida, apesar de frágil, continua... inclusive a minha querida tia ainda continua, com a ajuda dos aparelhos!

5 comentários:
Sabe, Opuntia, quando vou e volto da faculdade às vz ainda passo por Camburi, ñ vejo, infelizmente, o pôr-do-sol.
Mas vejo, também, as pessoas em suas caminhadas e nesse último semestre as obras.
Antes das obras e quando preferia esse trajeto muitas vezes eu sentia uma vontade doida de sair daquele calor monótono do bus e ir para a praia e lá sentir o calor animoso do sol na areia e aquela brisa maravilhosa.
Por algum tempo observar esse quadro, a orla de Camburi, foi para mim algo terapêutico, isso bem antes das obras. Como vc eu tinha um ente muito importante em um hospital de Vitória, que enfrentava ativamente o intransponível. Aquela cena de Camburi antecedia momentos dolorosos, hoje complicado na lembrança ficou o irrevogável.
No último semestre, observando essa mesma paisagem em transformação, infra-estrutura ativa buscando ampliações, coisas sendo remexidas para talvez serem melhoradas e todo esse conjunto de imagens caóticas transmitem-me muitas sensações paradoxais sobre a existência, sobre o tempo, sobre lugares, sobre pessoas e sobre mim mesma.
...
Então, quando possível, decido-me pelo 527 q faz um trecho diferente desse.
Moça, obrigada pela visita.
beiJô
Que triste coincidência passarmos por Camburi p/ visitar parentes doentes! Mas, tristezas à perte, a praia continua, apesar das obras e a vida continua, apesar de frágil.
Obrigada pela visita. Volte sempre.
Conheci Camburí sem calçadão e pleno de restinga.
Quase sem carros, prédios, pessoas...
Mais à frente, ví o sol nascer em minhas corridas matinais.
Hoje, já quase não passo pela orla de Camburi- não tolero trânsito.
Cheguei aqui através de sua visita no blog da Hanne.
Abraços,
JEN
Já destes crepúsculo a suas palavras???
Não, Atirandiletra, minhas palavras ainda estão alvorecendo.
Bjos!!
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